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Museus como espaços de criação coletiva da memória
— Maria Luiza Meneses Museus são territórios em disputa. Assim como todas as instituições responsáveis pelas narrativas históricas, simbólicas e oficiais, ou seja, escolas, universidades, bibliotecas, entre outras, são alvo da guerra cultural e projetos de poder. Há, no entanto, experiências do fazer museal que demonstram outros modos não apenas de repensar esses espaços, como também de criá-los a partir de outros paradigmas, relações e interlocuções. No presente texto, apres
3 de jul.14 min de leitura


Lugares de deslocamento
— Susana Alves Que lugares movimentam a ação criativa? A pergunta obriga-nos a deslocar o olhar da obra para o espaço onde ela se torna possível. Criar não é apenas um gesto individual, mas é uma ação situada, atravessada por arquiteturas físicas, normas institucionais, ritmos sociais e relações de poder. Ao longo do trabalho desenvolvido no Lugar Específico; entre arte e educação, em contextos como o Museu Municipal de Benavente (Portugal), escolas públicas, intervenções na
3 de jul.5 min de leitura


Corpo-Rio: uma poética da fissura
— Jeff Barbato O menino de lábios dilacerados. O da boca marcada por uma fenda que nascia bem abaixo de sua narina e terminava no final do queixo do lado direito de seu rosto. Fissura que mostrava uma gengiva mal-acabada de dentes falhos, minúsculos e tortos. Rouxinol, criança que, ao soltar seus primeiros balbucios, foi acusado de possuir uma fala que provinha de um mal contagioso que morava em suas entranhas. Por isso fora condenado à morte. Diziam que era preciso acabar co
3 de jul.9 min de leitura


A sala de aula e os materiais educativos como potência criadora
— Ana Helena Grimaldi Nesta conversa com a Revista Latente, a artista e educadora Ana Helena Grimaldi reflete sobre processos coletivos, mediação cultural e os desafios e potências de pensar materiais educativos como espaços de experimentação artística e pedagógica. Ela compartilha a experiência de desenvolver o Trocas e olhares 2 – Acervo Sesc de Arte (1), material educativo realizado em 2024 baseado no Acervo Sesc de Arte com foco em artistas participantes de diferentes edi
3 de jul.9 min de leitura


Nas fissuras entre o corpo, o concreto e o urucum
— Andrey Guaianá Zignnatto Itche Xambrá Haun Fór Andrey Guaianá Zignnatto, regag tivê kaingá Dofurêm Guaianá. Itche dofuvê, uraimatõ Jundiaí-São Paulo, opecuxã to tã Dofurêm Guaianá. Os lugares de criação existem como endereço fixo, CEP, contrato de aluguel? Ou são deslocamentos, travessia, resto de chão? Pergunto isso como quem encosta o ouvido na terra e espera que ela responda com um sopro. Pra mim, lugar de criação não é sala branca, nem cubo neutro, nem silêncio condicio
3 de jul.9 min de leitura


Espaços impermanentes. Arte, deslocamento e invenção no interior paulista.
— Sylvia Werneck Quando penso no “desenvolvimento” — termo que aqui não se sustenta sem fricção — do interior de São Paulo após a chegada dos europeus às Américas, a ideia de deslocamento se impõe quase como uma camada geológica. O território foi atravessado por sucessivas ondas de mobilidade e violência: as bandeiras que avançavam em busca de metais preciosos e de corpos indígenas a serem capturados e escravizados; o ciclo do café, que redesenhou radicalmente a paisagem com
30 de jun.6 min de leitura


O gesto como território. Práticas realizadas na Residência Epecuén.
— Paula Lucila Benitez COMO UM CORPO SE APOIA SOBRE O QUE ESTÁ DESMORONANDO? COMO SE CONSTRÓI UMA RELAÇÃO COM AQUILO QUE, POR SI SÓ, ESTÁ EM PLENO PROCESSO DE DESMORONAMENTO? QUE GESTOS POSSIBILITAM O ESTAR-AHÍ(1)? Escrever sobre a Residência Epecuén — programa impulsionado desde 2017 pela plataforma Ambos Mundos — exige um movimento que transcenda a crônica de suas edições ou o relato da produção individual de seus artistas. O que se busca aqui é a configuração de um ensaio
30 de jun.9 min de leitura


As donas das ruas: “Graffito, logo posso ser livre”
— Ketty Valencio Pelas encruzilhadas da vida e da arte, peço licença às entidades; entre exus, pombagiras, a malandragem e o povo da rua. Quero exaltar a ancestralidade negra, por meio de artistas pretas — as grafiteiras — que colorem a cidade, o bairro e onde o concreto e o limite se expandem como os contornos das casas, dos arranha-céus, das avenidas, das ruas e das vielas. Mas, se voltarmos ao Brasil Colônia, aquelas ruas não eram um ambiente permitido para as mulheres. Ap
22 de jun.9 min de leitura


Curanderia de mulheres grafiteiras
Inspirada na ação das curandeiras e benzedeiras, Nenesurreal nos apresenta uma coleção de ensaios visuais de mulheres grafiteiras que transitam entre diferentes linguagens e abordagens do Graffiti.
22 de jun.1 min de leitura


Relações situadas: Entrelaces na Ilha Anchieta
— Célia Barros e Gabriela Leirias Quando Katia Zirnberger e Erica Sanches idealizaram o projeto Entrelaces - Arte, memória e meio ambiente, já conheciam bem a complexidade histórica e socioambiental que envolve o território da Ilha Anchieta. Ambas têm realizado projetos com escolas procurando estabelecer vínculos com a ilha a partir de um pensamento crítico e poético. Nascidas em São Paulo e estabelecidas na cidade há mais de 20 anos, têm desenvolvido um trabalho incansável d
19 de jun.5 min de leitura


Editorial — Lugares de criação
— Por Célia Barros Quais são os espaços que facilitam, permitem, estimulam ou constrangem o ato criativo? Como se configuram esses lugares e que diferenças propõem? Nossa intenção é investigar onde a arte emerge, se transforma e encontra força para existir. Esta edição percorre museus, ateliês, ruas, escolas, residências artísticas e margens diversas para compreender como esses contextos provocam e sustentam processos criativos. De que forma cada território, com suas redes de
18 de jun.4 min de leitura


Adubar o solo comum: policultivos e comunalidade
— Gabriela Leirias e Gabriela León Este é um diálogo sobre a interdependência que possibilita a vida, sobre o nosso habitar e as suas consequências e sobre os amplos comentários a respeito, que transcendem o âmbito humano. Durante uma série de conversas entre nós, as Gabrielas, acerca do cuidado coma T(t)erra, e, devido a uma série de experiências pessoais, refletimos sobre o processo de cura de nossos próprios corpos e sobre as práticas de limites difusos entre o
11 de dez. de 202512 min de leitura


Arpilleras –o sensível como aprendizagem, cooperação e luta
— por Célia Barros Em tempos de emergência climática e pós-pandemia, beirando o colapso do modelo energético atual, mantido pela irresponsabilidade social de um sistema capitalista e patriarcal, pode a arte tensionar uma visão extrativista, produtivista e individualista da vida para propor outras formas de existência? Qual é o poder desse gesto que se materializa de formas tão diversas? Que transformações são possíveis quando as práticas criativas se inserem nos
11 de dez. de 20258 min de leitura


Justificações para o desaparecimento–observações da natureza de Alberto Duvivier Tembo
— por Felipe Marcondes da Costa Em 1996, o animal mais badalado do planeta era uma improvável ovelha. A fama do bovídeo não se devia a qualquer crença religiosa de arrebatamento pela chegada do novo milênio, teoria bastante propagada naquele período, mas a um indivíduo em particular: a ovelha Dolly, o primeiro mamífero a resultar de um bem-sucedido processo de clonagem. O advento dessa tecnologia levou o imaginário antropocêntrico a logo se projetar duplicado, tripl
10 de dez. de 202512 min de leitura


Entre o “eu” e o comum:experiências de gestão participativa para construir mundos possíveis –o caso da Pinacoteca de Mauá
— Maria Luiza Meneses No campo da administração pública, diversas são as experiências de organização que possibilitam modos participativos de gestão dos recursos e decisões de interesse público. As experiências já estudadas no Brasil investigam práticas realizadas, sobretudo nas áreas da Educação e da Saúde, a exemplo do artigo de Andréa de Oliveira Gonçalves, Jacinta de Fátima Senna Silva e José Ivo dos Santos Pedrosa sobre a importância dos conselhos d
8 de dez. de 202511 min de leitura
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